quinta-feira, 30 de julho de 2009


Cá está mais uma das clássicas histórias do qual fiz parte nesse circo "american pie" que é a minha vida.
Bem, o título da matéria do jornal já esplana do que se trata. Mas contarei do meu ponto de vista.
Seguinte... eu e meus camaradas resolvemos numa bela oite de quinta feira ir tomar uma cervejinha na cantareira. Marcamos de nos encontrar no centro de São Gonçalo. Cidado do qual todos nós morávamos (blá). Pulando alguns fatos corriqueiros, acabamos sendo abordados por 2 assaltantes.
Até então uma clássica cena da violência do Rio de Janeiro. Mas como tudo na minha vida não é simples e sempre tem que ter uma dose de ridicularidade e humor, o assaltante acabou por nos deixar completamente pelados. Ainda tentamos argumentar mas parecia que o espírito de algum cabloco palhaço havia encorporado naquelas figuras. Depois disso fomos obrigados a correr pelados em direção a uma vizinhança enquanto ouviamos tiros sendo disparados para o alto.
Estando nós 4 completamente pelados correndo pela rua, as crianças que inocentemente brincavam de amarelinha na rua correram para suas casas aos berros de pavor.
Procurando uma solução para aquele incomodo problema acabei me deparando com um grupo rapazes na frente de uma casa conversando. Reconheci um deles. Um flanelinha que trabalhava perto de casa. Não pensei duas vezes antes de pedir calças emprestada tendo em vista que daquele jeito não daria pra prosseguir. Vendo o desespero em nossos olhos o rapaz acabou aceitando nos ajuda - "Entrem nesse portão de ferro, abaixem a cabeça e atravessem o quintal. Não se esqueçam de abaixar a cabeça. No final haverá duas portas. A porta da direita é o banheiro de fora".
Nesse momento já estava muito mais tranquilo. Mas como tudo na minha vida tem que ter aquela dose de humor, acabei sendo surpreendido quando cheguei no quintal. Era aniversário da irmã do rapaz. A ideia foi fazer um churrasco e chamar todos os amiguinhos. Quem acabou pagando o pato? O pobre que vos fala que teve de atravessar um quintal infestado de gente de todo tipo. Dentre as piadinhas, os risos, os chorors, os comentários maliciosos eu levei os segundos mais demorados da minha vida para atravessar aqueles poucos metros de distância entre o portão e o banheiro.
Depois de dois dias, quando pra mim essa história já fazia parte do meu passado, estava caminhando pelo centro de Niterói quando resolvi parar numa banca de jornal para saber das notícias daquele dia. Quando me deparo com a manchete de um jornal que me pareceu um tanto familiar. Bem, como o jornal está aí postado não me prolongarei mais nesse assunto. Vocês já podem imaginar a cara que eu fiz quando li essa matéria.

ENQUANTO NÃO POSTO OUTRA HISTÓRINHA...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Vai ai uma coisinha qq q eu escrevi pq a próxima história é looooonga. E também eu preciso scanear o jornal.
:p


Há dores que são passageiras
Mas que deixam cicatrizes no coração
Há dores que são eternas
E essas nunca o deixarão
Há dores que parece que nunca existiram
Mas em algum momento muito o magoaram
E outras dores que você já esqueceu
Por fazer tanto tempo que passaram
Há dores que você tem medo de sentir
Mas que cedo ou tarde o alcançarão
E, por último, há dores gostosas de se ter
Por lembrar alguém que está no coração

COMENÇANDO COM UMA CLÁSSICA

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Acho que deveria ter feito isso há muito tempo. Atendendo a milhares de pedidos ai vai uma das maiores pérolas da história american pie da minha vida.

Quando era criança reunimos um grupo de amigos afim de montar um clubinho. Coisa de criança, sabe? O objetivo principal do clube era colecionar revistas em quadrinhos. Mas também possuia outras atribuições, como trocar cartas de Magic, livros de RPG, montar um time contra a habilidosa vizinha que era bem mais nova que a gente e com um imenso potencial a pederastia (que curiosidade de saber se deu pro que parecia que ia dar - quer dizer, se não deu, ah, enfim...).
Demos ao clubinho o nome Caveira Vermelha em homenagem ao vilão do Capitão América. Me pergunto até hoje porque não escolhemos o Venon, ou o Magneto, etc. Esse nome só vai deixar a história mais complicada no final.
Continuando...
Certo dia em uma de nossas loucuras inconsequentes nos embreamos no mato brincando de exploradores e achamos uma casa aparentemente abandonada. O quintal era enorme e com diversos pomares. Era perfeito para a sede de nosso clubinho.
Mas algo estava faltando. Não sabíamos o que, mas estávamos prestes a descobrir.
Até então eu nunca havia entrado em um cemitério, e quando passamos em frente daquele que era o único da cidade os portões estavam abertos. "Bora?" perguntou um dos amigos mais atentados da troop. E lá fomos nós. A história começava a se desenhar para aquilo que no final renderia umas das maiores traquinagens de criança que eu já fiquei sabendo. Felizmente ou infelizmente isso faz parte da minha vida.
Andando entre as lápides encontramos o ossário. Montes e montes de costelas e crânios acabou dando a porcaria da ideia de adotar um daqueles ex-seres-vivos. Cairia perfeitamente como mascote do clubinho. Sem qualquer pudor, começamos a catar aquele que seria digno de ser nosso mascote. Dentre desdentados, rachados e furados (medo) achamos o João. Era quase perfeito, possuia caninos quase inteiros. Agora faltava mais uma tarefa: pedir ao coveiro. Cara, impressionante como as pessoas não medem as consequências. É claro que dar um crânio para um bando de moleques rendeira uma puta merda. Mas enfim, pedimos ao coveiro e tivemos uma resposta seca e objetiva: "Vaza, vaza, finji que eu não vi!"
Colocamos o João dentro da mochila e o levamos para a sede do clubinho.
Agora precisávamos só de mais uma coisinha. Pintá-lo de vermelho. Claro, claro. O lance do Caveria Vermelha. Repito: porque não colocamos o nome do clube de Batman e catamos um morcego morto e penduramos numa árvore? Acredite, teria sido muito, muito mais tranquilo.
Jutamos uma merreca sacrificando a compra do Super-Homem n° 578 e do Demolidor n° 143, e compramos uma latinha de spray vermelha. Estávamos tão contente que tudo estava dando certo que tivemos a brilhante ideia de pichar os postes da nossa rua com as letras C e V (Caveira Vermelha, entendeu?). Logo depois fomos para a sede do clube e pichamos também o João inteirinho de vermelho. Ah, como ele ficou bonitinho. Mas absolutamente aterrorizante. Nosso clube não poderia estár melhor. Tinhamos tudo o que planejamos. Tudo ocorria perfeitamente, tirando que o Hulk era ridicularizado pelo Thanus sendo diminuido ao tamanho de um polegar.
Num belo dia de sol aconteceu um imprevisto. A casa abandonada não era exatamente abandonada. Enquanto trocávamos algumas revistas apareceu o caseiro. Deu pane em geral. A molecada começou a catar tudo que podia e começou a correr. O João foi o primeiro a ser ensacado e guardado. Acho que nunca corri tão rápido na minha vida.
Pulamos o muro da casa com extrema rapidez, o que era de se indignar já que era maior que a gente umas 4 vezes. Eu não esqueço da minha preocupação ao ver um de nossos amigos que era gordinho, rolando ribanceira abaixo e depois levantando e correndo como se nada tivesse acontecido. Eu estava tão preocupado que eu nem ri na hora, mas pode ter certeza que foi deveras engraçado.
Passado o susto, era preciso encontrar um novo lugar para colocar o João. O porão da minha casa foi o escolhido. Mas não durou muito lá não. Acontece que o João exalava um perfume que era confundido facilmente com cheiro de coisa morta. Minha mãe vivia reclamando que eu tinha que tirar minhas tralhas do porão porque devia ter um rato morto debaixo daquilo tudo.
Era hora de mudar o João de lugar mais uma vez.
Dei ao nosso amigo gordinho essa tarefa. E ele fez o mesmo, ou seja, guardou o João em seu porão. A essa hora o João estava no meio de um jogo incrível de empurra-empurra.
Parecia que tudo ocorria bem, tirando o fato que a gente tinha perdido a sede do nosso clube. Mas o nosso amigo gordinho, sei lá por cargas d'água, guardou o João sem uma proteção adequada. Numa de nossas noites de video game a mãe do gordinho entrou pela porta da sala mais branca que vela. Dirijiu-se até nós e perguntou: "Crianças, vocês por acaso tem algum brinquedo que é uma caveira?"
Suando frio rapidamente respondemos: "Não tia, não tia."
Olha, acho que eu nunca vi alguém com a cara mais assustada. A senhora não falou mais nada. Foi para o seu quarto e de lá não saiu até a tarde do dia seguinte. Deve ter faltado Pai Nosso e Ave Maria.
A partir dali tinhamos certeza que João tinha nos criado muitos problemas e precisávamos nos livrar dele. Como faríamos isso? Ué, do mesmo jeito que cadáveres são desovados por aí: jogando em um valão qualquer. Mas como crianças, não pensamos que deveríamos ter feito isso em um valão que não fosse aquele que passava na nossa rua.
Conforme o planejado, pegamos o João e o jogamos no valão. Estava acabado. Um problema a menos para nós.
Ai sim, veio o fatídico dia. Era uma manhã de muito calor. Um dia perfeito para ir para a casa do nosso amigo que tinha piscina. Arrumei meus brinquedos preferidos e coloquei dentro da mochila junto com uma bermuda, uma toalha, e algumas fitas de Super Nintendo. Peguei minha bicicleta e junto com o tal amigo fomos para a sua casa. Mas algo no caminho chamou nossa atenção. Uma quantidade estrondosa de gente em volta do valão. Pessoas de todas as idades, policiais, defesa civil, etc. O sanque gelou na mesma hora. Sim, era o mesmo valão que havíamos jogado o João.
O desespero bateu em nossos corações temendo pelo pior. Era preciso averiguar a história e num joguinho rápido de par ou impar ficou decidido que o meu amigo perguntaria a senhora que parecia mais atônita e por dentro do ocorrido. A resposta veio assustadoramente: "Jogaram um cadável no valão pintado de mermelho. Há inscrições de CV por toda a parte. O Comando Vermelho chegou."
Nesse momento você já deve ter entendido como tudo acabou se encaixando no final para que acontecesse uma das maiores traquinagens da minha infância, e uma das notícias mais surpreedente que o jornal local já publicou. Por muitos dias temíamos que pudessem descobrir toda a história. Tive alguns pesadelos naquela semana no qual eu era julgado e preso. Meu amigo não cansava de dizer: "Nossas digitais estavam no João cara, NOSSAS DIITAIS."
Bem, e foi isso. Felizmente rendeu nada a não ser uma boa história para contar no final.